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Linhas Temáticas

Gestão Universitária e Vivências Acadêmicas

Investigação sobre processos de gestão no contexto universitário, adaptação acadêmica, evasão e vivências dos estudantes no ensino superior.

Vínculos Psicológicos entre Indivíduo-Organização

Estudo dos vínculos de comprometimento, entrincheiramento e demais relações psicológicas entre trabalhadores e organizações.

Inovação Gerencial e Práticas Gerenciais Inovadoras

Análise de práticas inovadoras na gestão organizacional, cultura de inovação e transformações nos modelos de gestão contemporâneos.

Gestão Universitária e Vivências Acadêmicas

Pesquisa - Políticas e ações afirmativas na graduação e suas repercussões para a adaptação acadêmica e a evasão no contexto universitário - Edital Pró-Humanidades FUNCAP 07/2023 - divulgação de resultados parciais

A entrada na universidade costuma ser apresentada como o início de uma nova etapa cheia de possibilidades. Na prática, essa transição também envolve desafios emocionais, sociais, financeiros e acadêmicos que podem impactar diretamente a permanência e o sucesso dos estudantes no ensino superior. Foi justamente pensando nessa realidade que esta pesquisa, financiada pela FUNCAP, promoveu uma atualização da Escala de Transição e Adaptação Acadêmica (ETAA), de Pinho, Tupinambá & Bastos (2016), instrumento voltado a compreender como os universitários vivenciam esse processo de adaptação.

O estudo mostra que a adaptação universitária vai muito além do desempenho em sala de aula. Aspectos como a relação com colegas e professores, o acesso a atividades extracurriculares, as condições financeiras, o suporte institucional e até mesmo as experiências anteriores no ensino médio influenciam a trajetória acadêmica dos estudantes. A pesquisa destaca ainda que o perfil do universitário brasileiro mudou bastante na última década, tornando-se mais diverso e heterogêneo, especialmente após políticas de democratização do acesso ao ensino superior.

A nova versão da escala foi construída a partir de revisão de literatura científica e análise de especialistas, resultando em um instrumento mais atualizado e conectado às demandas contemporâneas da vida universitária. Entre as novidades, destaca-se a inclusão da dimensão “Intenção de Saída”, que investiga sinais de desejo de abandono do curso ou da universidade. Essa inclusão é particularmente importante porque permite identificar precocemente fatores relacionados à evasão acadêmica, possibilitando que instituições desenvolvam ações preventivas de acolhimento e permanência estudantil.

Outro aspecto relevante é que a escala passou a contemplar temas atuais, como bullying, discriminação, acessibilidade, saúde emocional, dificuldades de conciliar estudo e trabalho, além do impacto das atividades extracurriculares na experiência universitária. O estudo também reforça que a adaptação acadêmica não depende apenas do estudante, mas do ambiente institucional e das políticas de apoio oferecidas pelas universidades.

Ao atualizar esse instrumento, a pesquisa contribui não apenas para o avanço científico na área da educação superior, mas também para a formulação de políticas e práticas institucionais mais sensíveis às necessidades dos estudantes. Compreender como ocorre a transição do ensino médio para a universidade é fundamental para promover inclusão, permanência e bem-estar acadêmico em um cenário cada vez mais complexo e diverso.

Referência

PINHO, Ana Paula Moreno; TUPINAMBÁ, Antonio Caubi Ribeiro; BASTOS, Antonio Virgílio Bittencourt. O desenvolvimento de uma escala de transição e adaptação acadêmica. Revista de Psicologia, Fortaleza, CE, v. 7, n. 1, 2016.

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Desenvolvimento da Escala de Transição e Adaptação Acadêmica: Um Instrumento Pioneiro para o Contexto Brasileiro

Este texto tem como objetivo divulgar os resultados do estudo seminal de Pinho, Tupinambá e Bastos (2016), que desenvolveu e validou a Escala de Transição e Adaptação Acadêmica (ETAA), um instrumento pioneiro no Brasil para avaliar a experiência de estudantes que realizam a transição do ensino médio para a universidade. O estudo parte do entendimento de que esse processo é multidimensional, envolvendo mudanças acadêmicas, sociais e institucionais que afetam de forma decisiva a adaptação dos calouros ao ensino superior.

Objetivo do Estudo

O objetivo central dessa pesquisa foi desenvolver e validar um instrumento pioneiro para o contexto brasileiro: uma escala capaz de mensurar o processo de transição e adaptação acadêmica vivenciado por estudantes calouros, egressos do ensino médio.

Metodologia

A pesquisa foi conduzida com um delineamento quantitativo, exploratório e de corte transversal. Participaram do estudo 275 estudantes do primeiro ou segundo semestre de diversos cursos de graduação em duas universidades públicas federais. O instrumento utilizado foi um questionário inspirado no Questionário de Experiências de Transição Acadêmica (QETA), desenvolvido em Portugal, mas que passou por um processo de adaptação, resultando na criação de uma nova dimensão, intitulada “Ensino Médio”, para refletir a realidade brasileira. A análise dos dados foi realizada com o software SPSS, empregando-se a Análise Fatorial Exploratória.

Resultados Principais

A análise estatística resultou na validação de uma escala final composta por cinco dimensões, denominada Escala de Transição e Adaptação Acadêmica (ETAA). Essas dimensões representam os fatores mais influentes no processo de adaptação dos calouros e explicam aproximadamente 51% da variância do fenômeno, quais sejam:

a) Atividades Extracurriculares: Avalia o acesso e a variedade de atividades acadêmicas (pesquisa, seminários, grupos de estudo) e culturais que são oferecidas pela universidade fora do contexto formal da sala de aula;

b) Ensino Médio: Analisa o papel preparatório da escola secundária na vida universitária, abrangendo a metodologia de ensino, o incentivo à autonomia, os conhecimentos acadêmicos adquiridos e as informações oferecidas para o ingresso no ensino superior;

c) Extra Acadêmico: Refere-se a aspectos que não estão diretamente ligados à relação acadêmica, mas que a impactam, como o deslocamento até a instituição, as despesas financeiras para se manter no curso e a adequação da estrutura física do campus;

d) Professores: Mede a percepção dos alunos sobre as atividades desenvolvidas pelos docentes, abrangendo não apenas a metodologia, a didática e a abertura ao diálogo, mas também suas decisões quanto ao ritmo dos conteúdos e aos critérios de avaliação; e

e) Pares: Relaciona-se à dimensão social da adaptação, avaliando a capacidade de formar novos vínculos, o relacionamento com os colegas de curso, a existência de um clima de apoio e a participação em trabalhos em grupo.

Considerações Finais

Este estudo apresenta uma contribuição seminal ao oferecer a primeira evidência de validação da Escala de Transição e Adaptação Acadêmica (ETAA). Os resultados confirmaram a relevância de dimensões já consolidadas na literatura, como Pares e Professores, como fatores essenciais no período de transição. Além disso, a pesquisa inovou ao desenvolver e validar a dimensão Ensino Médio como um fator de grande importância para o contexto educacional brasileiro, sugerindo que a aplicação da ETAA pode fornecer às instituições dados valiosos para desenvolver estratégias de apoio e diminuir as taxas de evasão. Como limitação, os autores apontam que o questionário foi aplicado apenas em instituições públicas federais, indicando a necessidade de futuras pesquisas para ampliar a validação do instrumento a outros contextos universitários.

Referência

PINHO, Ana Paula Moreno; TUPINAMBÁ, Antonio Caubi Ribeiro; BASTOS, Antonio Virgílio Bittencourt. O desenvolvimento de uma escala de transição e adaptação acadêmica. Revista de Psicologia, Fortaleza, CE, v. 7, n. 1, 2016.

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